Eduardo tem um par de setes. O PiG lhe dará o Royal
André Barrocal publica na Carta Capital desta semana excelente reportagem sobre "a tática de Campos".
(Nesta edição, não percam o editorial do Mino sobre o exemplo de Chávez, e Mauricio Dias sobre o nefando papel do PiG, "água mole em pedra dura".)
Barrocal alinha as várias hipóteses a que Eduardo Campos pode recorrer para se tornar o candidato da 3ª Via.
A primeira via é a dos ladrões - o PT.
A segunda, a dos ricos - o PSDB.
(Nessa dicotomia, no PSDB não tem ladrão.)
Eduardo, que há dez anos apoia os ladrões, namora com os ricos (só no segundo turno).
Por enquanto, sua única divergência - pública - com a Presidenta Dilma é em relação à MP dos Portos.
Eduardo, progressista da terceira via, opoe-se à modernização dos portos por um motivo nobre: manter o controle estatal (de Pernambuco) sobre o porto de Suape.
Nesta nobre batalha, ele se alia a dois grandes brasileiros, um é o Paulinho da Força, cover eleitoral do Padim Pade Cerra, e aqui neste ansioso blog também chamado de "Pauzinho do Dantas".
E o imaculado banqueiro, Daniel Dantas, dono do porto de Santos, que, como observa Barrocal, foi condenado pela Justiça inglesa por fraude, e a dez anos de cadeia, no Brasil, por suborno a um agente federal, como demonstra vídeo do jornal nacional.
A pena de dez anos, convem lembrar, não foi extinta.
O "polêmico" banqueiro - é assim, de forma "condescendente", lembra Barrocal, que o PiG (*) lhe trata - pode voltar ao PF Hilton a qualquer momento, assim que o Presidente Barbosa legitimar, definitivamente, a Operação Satiagraha.
(Clique aqui para ler "Presidente Barbosa, não vá embora. Pegue os tucanos !". E aqui para ler "Klouri e PHA derrotam Dantas duas vezes", na aba "Não me calarão", onde se aprecia a " Galeria de Honra Daniel Dantas", com alguns dos que processam o ansioso blogueiro - "diz-me quem te processa e dir-te-ei quem és".)
Portanto, no que concerne aos portos, a terceira via pode macular-se e afogar-se, também, com ladrões.
Alem de a estatização contradizer a ideologia tucana, que Eduardo terá que abraçar num segundo turno.
Aí chegamos ao centro do problema.
Eduardo será candidato para defender que ideias ?
"Xoque de jestão" é monopólio do Aécio.
"Amor aos pobres" já tem dono.
Combate à corrupção é uma faca de dois legumes, diria aquele memorável presidente do Corinthians.
O PSB pode atirar a primeira pedra, quando chegar ao palco principal ?
E o estigma de "ladrão" cola no Lula, na Dilma ?
E como explicar ser aliado de ladrão durante dez anos e só a um ano da eleição descobrir a roubalheira ?
Barrocal explica que a terceira via seguirá o caminho do esgotamento do modelo do consumismo.
Está na hora de poupar e investir.
Chega de consumir.
Vamos ver ele dizer isso na porta de uma concessionária de moto de R$ 2.000.
Não, meu filho, continue a andar de jegue.
E leve a namorada para a caderneta de poupança.
Barrocal não poder ser lido sem a companhia do Mauricio Dias.
Eduardo está numa encruzilhada.
Ele tem que ser candidato em 2014, como previu o Oráculo de Delfos.
Mas, a terceira via tem dois atalhos.
Matar o Aécio.
E nascer no PiG.
Como a Blablarina em 2010.
Ela foi o melhor produto eleitoral que o PiG (*) conseguiu produzir depois da reeleição do FHC, a R$ 200 mil por deputado.
O PiG (*) é o que vai dar "consistência" à 3ª Via.
E tentar desconstruir a Dilma.
Essa é a tática óbvia, inevitável, do anti-trabalhismo, desde que Vargas se matou.
E quem disse que cearense e baiano votam em pernambucano que saiu direto de Pernambuco sem subir ao palco federal ?
Eduardo precisa conquistar o PiG (*), já !
Convencer o PiG (*) a trocar Blablarina, Gabeira, Cristovão Buarque, Heloisa Helena e Aécio por ele.
Não parece difícil.
No Globo deste domingo, Eduardo tem mais espaço que Caetano.
É um bom começo.
Em tempo: na pág 2 deste domingo, o Globo revela uma das faces benignas do aliado de Eduardo (nos portos): "Passado sob ameaça". O imaculado banqueiro comprou um conjunto de lojas de mais de cem anos na histórica rua da Carioca e já aumentou os alugueis e ameaça os comerciantes com despejo. Para construir um arranha- céu. Isso, porém deve durar pouco. O Globo tem um colonista (**) - torcedor, segundo o Nirlando Beirão - , que defende o patrimônio paisagístico e cultural do Rio dos planos de Eike Batista. Ele certamente fará o mesmo diante dos planos imobiliários de Daniel Dantas.
Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (*) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.